Minha dança minha teatralidade

Na minha vida e no meu corpo cotidiano, cheio de deveres a serem feitos e horários a serem cumpridos eu entendia todas as tensões e bloqueios criativos que eu tinha para com a dança.

Não tenho tempo pra isso.

Tenho que acordar cedo para trabalhar.

Preciso dormir.

Preciso fazer comida.

Tenho que lavar roupa, limpar a casa.

Não da mais pra fazer aulas de dança, não tenho dinheiro pra isso!

E assim fui deixando de me expressar artisticamente. Generalizo artisticamente, pois desde pequena eu encontrei na dança formas de me expressar, quando estava, triste, alegre, aflita, confusa, etc.

 Eu fui conhecer Pina Bausch mais a fundo quando eu já estava na Universidade. E fiquei simplesmente apaixonada pela trajetória dela na dança e seu olhar sobre o corpo humano. Um corpo cotidiano. E foi ai que comecei a estudar mais sobre suas técnicas e abordagens para coreografar seus espetáculos.

Quando voltei a me movimentar comecei conhecer de novo meu corpo, me mexendo e remexendo como eu queria.

Entendi de novo que movimentar o corpo é terapêutico e necessário, único para cada corpo, com suas capacidades físicas e inquietações.

A dança e as abordagens de Pina me ajudaram e observar isso em mim, a entender a minha necessidade de falar sem verbalizar. E ela me mostrou que a dança-teatro é um dos caminhos para isso.








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